terça-feira, 28 de novembro de 2006

Conclusão

De madrugada murmuram sonidos opacos
E nas tempestades de verão
Perdem no tempo e espaço
As mensagens trazidas pela Palavra que ouvem.

E mesmo assim retini as vozes
Como pedras jogadas
Na esperança de repicar às vezes
Entre os indivíduos a sensação da paz.

Mais do que uma expressão amiga
E acima do conforto material
Vem o presente terno e afável
De sempre ter alguém
Igual a qualquer pessoa
Que diga o caminho para se encontrar com Deus.

Muitas perguntas o homem jamais poderá responder
Por si mesmo
Nem do fruto que é colhido
Pode saber a essência de tudo
Sem ser alimentado pelo Criador.

Lá no fundo
O futuro só pertence a Deus
Que rege todos os destinos
Para moldar a obra final
Dos justos e injustos,
Cuja participação
Depende apenas e exclusivamente
Dos que ouvem e entendem
O significado da sua existência.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Milagre II

A obscuridade das idéias,
Idéias imaginativas,
Criando condutas pictóricas
Que deliram nas convicções humanas.

Dizem por aí que não há milagres,
Nada, a não ser o vão
Que assopra nos pulmões
E se esvai nas palavras pronunciadas em vão.

Para todos tudo é tão comum
Natural de mais para ter a mão de Deus
Diante do universo em expansão
E do grão de areia amontoadas no chão.

Os átomos aglutinados
Formam além do mundo
Contudo,
Dos objetos inanimados
Aos seres vivos
Há uma diferença de milhares de ano-luz.

Os seres incubados nos corpos
São mais do que sistemas de células neurais
Que se distinguem um dos outros
Como as digitais.

Então, a pergunta permanece:
- Será que tudo isso já não é um milagre?

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Poema

O que é uma poesia?
São rimas em conjunção de palavras,
São fonemas acoplados a uma sentença ou
São verbos que ligam todos os nomes?

Ela não é apenas um substantivo
Melhor que mil prosas substitutivas
É uma vida em desenvolvimento.

Em cada movimento
O seu ritmo adquire diferentes entonações
Que provocam várias emoções
E pensamentos diversos.

Nestes meus versos
O meu foco é Deus
Que provocou muitas profecias
E aqui se tornaram poesias.

Nunca serei profeta
Como nos tempos bíblicos.
Sou um simples poeta
A deixar uma mensagem aos leitores
E um Espírito intimista crítico
Nos meus instantes líricos.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Realidade II

Muitos passam a se olhar no espelho
Para ver os traços que os moldam.
Vivem horas para perdê-las
Sem nenhuma força de empenho.

O cotidiano atribulado
Favorece para o esquecimento
De muitos compromissos.

Para os dias atuais
Nada é mais importante
Do que o que se tem no momento.

O passado e o futuro são uma incógnita
Freqüentemente esquecidos por toda uma gente
Capacitada a deteriorar tudo num ato insciente
No escopo de se satisfazer por sua lógica.

Loucos e perversos!
Todos mais do que cegos
Não vêem o mundo se desmoronar
Gradualmente sem dó nem piedade.

Isto não vai passar como um eclipse
Para depois voltar como antes
Porque são os sinais do apocalipse
Que tudo se apagará em instantes.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Grito

De longe escuto
Vozes gritando em sussurros,
Cujos ecos ressoam como surros.

Violinos tocam desafinadamente
Em vazios tons
Emitidos no espaço até chega a mente
Para distinguir todos os sons.

Sendo tudo um grito
Num desabafo cálido
Que somente a Cristo,
Na cruz, invocado
O perdão é válido.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Túnel

Fecha, corre, fecha corre ...
Num trem em movimento
Os trilhos por onde ele passa são estáticos,
Sem vida.
De repente, transformam-se num símbolo da saudade
Quando das suas estruturas
Vem o passageiro gozo do som estridente.

Trote, trote, trote ...
Os trilhos são
Como a vida é em nós
Que com apenas um deslize
Acaba com a esperança de se chegar ao destino.

Fumaça vai, fumaça vem, fumaça vai, fumaça vem ...
Einstein dizia que tudo é relativo
O tempo é relativo
O espaço também
Bem como o meio vivido dentro dos vagões.

Apito apita, apito apita, apito apita ...
Logo, a alegria é o sopro da felicidade
Que teima existir até a próxima estação
A sua parada também é relativa;
Reencontros e despedidas
Fazem brotar na gente um fruto amargo de lembranças.

Suavizado, suavizado, suavizado ...
Lá vem Ele com Sua Palavra penetrante,
Embrenhando-se nas serras e florestas
Com Sua velocidade rasgante
E dos túneis que se formam pelos trilhos,
Deixam sinais da Sua presença fervorosa nas frias arestas metálicas.

Foi com o vento, foi com o vento, foi com vento ... por aí.

domingo, 19 de novembro de 2006

Culpa

Certos gestos,
Certas atitudes e
Certas críticas
Colhem espinhos profundos
Cicatrizados com o tempo.

Cãs do pensamento
Catalisa o pesar do arrependimento
Cediço pelo orgulho pessoal
Calcado pela arrogância de ignorar a verdade.

Contrição é o único meio
Capaz de romper
Com os grilhões do pecado,
Concluindo ser apenas o Cristo
Culpado para te inocentar pelos teus males
Cometidos no mundo.